Pela frecha de minha porta

O pior de viver, é com certeza ter que ver coisas. São tantas que as vezes fica difícil o fato de respirar. Como podemos passar por situações e achar tudo tão normal? Acho que esse é o maior defeito do homem; ele sempre se acostuma com tudo. Deve ser por isso que estamos aqui. Que respiramos. Somos capazes de ver sentir, aprender, e... nos acostumar.
Mas... não entendo o que quero dizer. Penso coisas que não deveria, faço coisas que não penso, digo coisas que não faço. Minto tanto que ver as coisas pelo qual me sinto tão mal, não deveria ser um fardo. Pareço ser a vilã da história, e se engana quem pensa que não. Enganei a todos, e isso é bem ruim; aliás, cheguei a enganar a mim mesma.
Me tranquei em meu próprio conforto. Não liguei pra tudo ao meu redor. Eu parecia ser o poço da honestidade, mas por isso mesmo sou tão falsa. Tudo em mim não passou de um breve jogo de controle. Quando a pessoa é sincera, sempre conquista mais súditos, além de ser um caminho bem simples de fingir seguir.
Olhei o mundo pela pequena frecha da minha porta, e me senti confortável com isso. Por fora, eu a mulher mais madura que você em sua vida antropocentrica, ou de repente teocentrica, poderia ver; mas por dentro... agora vejo que nunca passei de uma garotinha assustada.
Cada ser humano é uma casa, e cada casa tem uma especie diferente de porta. Umas são abertas o dia todo. Outras são muito fechadas. Tem algumas que no inicio está trancada, mas logo depois se abre como um belo sorriso. E tem aquelas que enganam a todos; parece aberta a todos, aparenta liberdade extrema, mas quando você tenta abri-la se ver trancado do lado de fora. A minha é está, a pior de todas; aparenta ser algo que não é; nunca foi.
E de repente, aparece ele arrombando minha porta com sutileza. Como não percebi? Ele foi tão rápido... Conseguiu, como ninguém, entrar no mais fundo lugar de meu interior; e agora... agora sabe de tudo. Descobriu o que eu não queria. Espreitou minha porta sorrateiramente, e não tenho muitas escolhas de fuga. Ele me pegou de verdade. Ele roubou meu coração. Ele roubou minha vida, devolvendo-a de outra forma. Mas mesmo assim, alimentei um sentimento estranho por ele...

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Nota: é um texto fictício, e não me pergunte porque o escrevi, pois não faço ideia!
Imagem de Vitor MM Costa, do site 1000 Imagens

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