Eu e ele.



    O desespero da solidão tomava conta de mim. O barulho do fogo crepitando ecoava pelo cômodo pequeno de minha casa. Já não me sinto tão só; ao menos tenho a companhia do vento, que agride a porta com força, enquanto a noite avança cansada, tão devagar quanto possível. Puxo meu cobertor mais de junto do corpo, e paro pra pensar; infelizmente somente coisas ruins tendem a passar pela minha cabeça. Pensamentos que não passam de ilusão, dizem, mas que não consigo tirar de minha cabeça.
    Passo meu tempo olhando as chamas dançarem na lareira à minha frente. Um instinto louco, absurdo, doentio, me diz pra correr; fugir do nada. Simples: o dinheiro, tudo que tive, me tornou num monstro... Ou melhor, num ser abaixo de tudo, abaixo dos seres humanos, em algo irreal, inexistente. Se eu tivesse percebido minha escravidão à aquilo que eu tinha antes de chegar nesse estágio, talvez eu não estivesse aqui, nesse fim de mundo; buscando asilo pro nada, pra solidão total. E é nessas horas que percebemos quem são nossos amigos... No meu caso, nenhum.
   E foi ai, enquanto vagava pelo meu inconsciente visões de um passado remoto, que ouço batidas cálidas na porta.  Como se estas insistissem, fui atender, abrindo somente um pouco da porta. Ali vi o que nunca imaginei; será que eu estava vendo corretamente? Um homem, ensopado da cabeça aos pés, estava ao pé de minha porta. Não era um homem comum, não era o carteiro, e nem um viajante solitário buscando abrigo. Não, era Ele. Ele, aquele que a tanto tempo atrás me confessou uma coisa proibida, indevida. Aquele que disse aquela frase clichê, que todos os enamorados falam um para o outro. Aquele que eu gostaria muito de esquecer...
   Ele sorriu. Eu continuei seria, sem mover um músculo, esperando que aquela visão, que não sei se boa ou ruim, fosse embora. Então, depois de muito fitá-lo, eu senti; senti seu abraço me apertar com força. Senti suas roupas molhadas molharem também meu corpo. Todo meu sentimento de fuga, de pavor, foi embora não sei nem pra onde. Estavamos sós agora, ali de frente a um casebre num lugar isolado. Agora eramos só eu e ele. Eu e ele.
   
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Esse é um texto que escrevi para um trabalho de português, a mais ou menos três meses. Não está muito bom, mas vocês me perdoam por isso, não é?
Até mais, bjs ;*

5 comentários:

  1. Olha eu ameii esse texto e na minha opinião está muito bom!

    Tem novas no meu blog ;)
    http://momentos-bd.blogspot.com

    Bj bj

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  2. Gostei do texto, não deixou nada devendo na minha opinião, combinou com o novo 'visu' meio gotica :]
    Que eu particulamente adoro.

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  3. xii eu não sei fazer link-me :(

    Vo aprende e depois te dou! :)

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  4. Já fiz o link-me agora é so pegar;)

    http://momentos-bd.blogspot.com

    bj

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  5. Obrigada pela visita :D

    Ah!, E o poema é cantado pela Nô Stopa, não tenho certeza, mas acho que foi ela que escreveu também :D

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