A casa era estranha. As pessoas que moravam nela, também. Engoli em seco antes de bater na porta acarvalhada de madeira, esperando que alguém me atendesse. Ouvi gritos lá dentro. "Vá abrir a - ouço um palavrão - da porta! Será que vocês são surdos?!" É uma voz feminina. Só ela foi o suficiente para tirar o restante de minha coragem.
       E, no fim, por que estou aqui?
       Respondo para mim mesmo: essa é minha missão.
Um homem gordo, imenso, atende porta. Me olhando mal humorado, ele espera. Não sei o que ele estava sentindo, mas reconheço que ele seria a ultima pessoa na qual você deveria confiar uma conversa inteligível. Seu bafo de vodca, e muito alcool, me dizia exatamnete isso.
       - Sou da polícia. - falei, como se isso fosse importante.
  - E o que diabos você 'tá fazendo aqui, senhor policial? - ele falou, tentando parecer respeitoso. Ao menos ele tentou mostrar isso - a maioria só acha que policial não é humano. Pois bem.
  - Será que posso entrar? - perguntei, quase que me convidando à adentrar a casa, e ignorando sua pergunta fútil e quase gentil.
  O homem olhou para trás, todo grogue. Senti, de longe, sua vergonha. Mesmo do lado de fora, eu já sabia que sua casa era pior que casa de maluco. Por isso eu estava ali. Porque tinha a certeza de que era ali que toda minha investigação começava.
E, enfim, essa não era mesmo minha missão. Eu não deveria fazer investigações por mim mesmo; e, olhe bem, estava eu, ali, fazendo exatamente isso. Fazendo o que não devia.
  Entrei na casa. Um caos total. Era garrafa de cerveja para tudo quanto é lado, enquanto duas pessoas estavam meio deitadas no sofá, bebendo. Sentindo prazer em não terem prazer nenhuma. Em não serem importantes.
  - E, então. Por que mesmo que o senhor veio aqui, senhor policial? - o homem perguntou, novamente, mais respeitoso do que nunca. Talvez com medo.
- Só fazendo meu trabalho, senhor - pigarreio um pouco antes de dizer - Fernandes, não é?
  Ele se assusta. Eu sorriu. Sua identidade falsa, enfim, descoberta. Por mim.
  - Acho que há algum engano aqui. - ele tropeça em suas palavras.
  - Não. Não há. É você mesmo que estou procurando.
  - Eu não fiz nada!
  - Eu sei que não. Por isso estou aqui. Você vai me ajudar.
  - E por que, diabos, eu ajudaria? Tenho mais o que fazer, meu irmão.
- Não, não tem. E vai me ajudar porque é sua unica escolha.
  Saco a arma. Ela sempre dá medo nas pessoas, mas é esse o sentimento que as move. Minha pistola, muito comum por sinal, pareceu grudar em minha mão que suava frio. Eu não costumo agir assim, mas sei quando é necessário. O homem ficou pálido - tão pálido quando o pequeno papel que eu ainda seguro em minhas mãos. O papel que me faz ir direto à resolução desse crime.
Saimos dali. Eu, e ele. Abri a porta de meu velho cadilac, e liguei o motor cansado do carro. Vi, quando olhei pra janela da casa, os olhos descontentes de uma velha. Devia ser esposa dele - do Fernandes. Ela também não tinha escolha, e nem eu, afinal. Estamos todos presos nessa. Porque eu preciso de ajuda, e eles podem me ajudar. De alguma forma, senti que conseguiria resolver aquilo tudo por mim mesmo, sem a ajuda de detetives metidos ou de policiais civis. Eu queria fazer aquilo sozinho. Porque aquele crime consistia à mim. Me atingiu, e não à eles. Eu que perdi algo, não eles. Não eles. Eu.
Se fosse com eles, tenho certeza que tudo já estaria solucionado.

5 comentários:

  1. quero a continuação!
    One-chan você é muito boa escritora!!!
    Fiquei triste quando acabei de ler o texto,quero mais /uahhaha.
    Adoro contos policiais,série essas coisas do tipo,são motivantes.

    Kissus /amei o post

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  2. Ooi! Obrigada por comentar no meu blog. <3 Sobre os layouts, bem, são anos de prática. UHSAUHSUAHSU! Se você quiser, se interessar, posso fazer um pra você. °-°~ Mas hein, adorei o texto também. *-*

    Beijão. :*

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  3. Ah, então me adiciona no msn, assim podemos acertar melhor os detalhes e tal, até porque eu preciso saber de que tamanho você quer o banner e de que estilo, mais ou menos. :~ adiciona: scarlet.queen@hotmail.com

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