Tempo de areia. Part final

        Estávamos sós. As ondas batiam, ao longe, vindo e voltando. Vindo e nos deixando. Não podiámos ver esse movimento constante, mas sentiamos - sabiamos que ele existia. Era real. Mas, vendo bem, isso não era importante. Não para nós.
        Não para alguém.
        Não para mim.
        - Porque diz isso? - minha voz soou levemente assustada.
        - Há promessas que simplesmente não podem ser cumpridas. - ela respondeu, por fim.
        A garota de olhos verdes e cabelos castanhos, me olhava. Fulminava meu corpo com os olhos, espreitando minhas reações ao que ela dizia. As mentiras que nunca acreditaria - as verdades que me assustavam. Não sabia se devia chamá-la de louca, ou... Eu não tinha certeza.
        Por fim, sempre sou vencido pelo medo.
        - Quer mesmo que eu acredite que você morreu? - bufei, num meio riso irritado.
        Ela apenas me fitou, sem se mover de seu posto. Sentada, num banco da praça. O vento passeando suavemente pelos seus cabelos. Os olhos brilhando. A verdade latejando. A certeza se firmando.
       Tudo isso misturado num bolo nauseante, bem à minha frente.
        - E por que voltou? - perguntei, então. Era como aceitar suas palavras, acho; mas, de alguma forma, eu sabia que aquilo era real. Sabe quando verdades te atingem e você acha-as normais? Sim, acho que é isso. Só isso.
        - Pra te forçar a cumprir a tua promessa. - ela reforçou suas palavras, sorrindo com uma ironia tola. Ela não podia cumprir o que prometera, mas eu, sim. Ela estava morta, eu não.
        Ela estava bem com aquilo, eu não.
        Essas são as faces de uma unica realidade.
        Primeiro, a confusão. Depois, o silêncio. E logo, não havia nada.
        Ela sorriu mais um pouco.
        Aproximou-se de mim.
        Levantou-se sobre os calcanhares, fazendo sua boca alcançar a minha. Senti seu toque frio; meu corpo tornou-se gélido, meus ossos rangeram, meus musculos pareceram sumir. Acho que é assim que se deve sentir quando beijado por um fantasma. Ou quando beijamos alguém que... gostamos.
       Ela separou-se de mim. Seus dentes brancos tornando-se pálidos, seu rosto moreno virando um conjunto de pele branca e desfazendo-se em nada. Sumindo bem de frente aos meus ohlhos. Ergui os braços pra ela, abraçando-a, tentando segurá-la a mim - para sempre.
        Mas ela continuava se diluindo.
        Bem quando eu descobria quem a garota era, ela se desfazia de mim.
        Bem quando eu lembrava de nosso antigo relacionamento, ela sumia.
        Bem quando eu a amava.
        Bem quando eu a queria.
        E aquela era a unica prova da verdade que era necessaria pra mim.
        Ela sumiu, acenando. Deixando-me só. Sozinho com minha promessa esquecida: ser feliz. De verdade. Amar. De verdade. Sorrir. De verdade.
        Essa promessa era mais dificil do que parecia.
        O vento agora passou, levando a poeira para longe de mim. Continuei parado, analisando. Pensando. Aceitando.

        Voltei pra casa, com as mãos nos bolsos, lembrando-me de tudo. Cada passo, trazendo-me à memória as palavras da menina. Quando menores, prometemos que seríamos felizes - juntos. Quando menores, brincamos de amar - juntos. Quando menores, queriamos nos casar - juntos. Quando menores, desejamos ter - juntos.
        E, quando menores, perdemos tudo - separados.
        Ela se foi.
        Eu fiquei.
        Nosso tempo junto foi tão curto, tão simples, que parece um nada. Não sei porque esqueci-a. Mas sei que agora lembrei. Não sei porque ela se foi, mas sei que está ao meu lado. Não sei porque desejei por tanto tempo não ter nada além do que a solidão, mas agora sei que nunca estive sozinho.
        Existem coisas que não entendo.
        Existem coisas que eu desejaria não entender.
        Tentar segurar o tempo em suas mãos, é como tentar segurar a areia da praia. Quanto mais você aperta, mais ele fluirá de você para o nada ao seu redor. Ele se vai, as pessoas se vão; tudo acaba. E quando acaba... você tem que saber seguir em frente, porque o tempo - ele nunca pára.


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Essa seria a ultima parte do conto que criei há algum muito tempo atrás. Não sei nem se ficou muito bom - eu já até tinha esquecido que tinha começado a escrever esse conto. Tive que resgatar da memória qual era o final   XD'


Itakimasu!
Kissus' ;*

5 comentários:

  1. Fico imensamente feliz quando me deparo com textos criativos e bem escritos como esse, pois o que nao falta na internet é blog (muitas vezes de qualidade duvidosa). Dei uma passeada rápida, mas o suficiente para gostar da sua literatura e querer voltar. :)
    Beijos.

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  2. Hei! Gostou do poema? :) É meu sim, escrevi ainda há pouco.
    Ah, que bom que você vai seguir lá, fico muito feliz. Espero você entao, beijos menina!

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  3. Oi flor, ainda bem que gostou né? Obrigada msm.
    Claro que podemos fazer parceria, o seu link já está lá. Eu ainda não li os seus contos, mais vou ler sim =)
    Xoxo.

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  4. Nai depois escreve o texto que vc falou que o nome Thayla te lembrava???

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  5. ahh q triste. agora ele vai ficar com saudade dela O':

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