A dor de temer o amor

"Quando a vida nos prantos se escoa
Não merece o amante perdão?"
- Álvares de Azevedo
A música continuava, mas somente uma frase ecoava na cabeça da menina vestida como mulher. Sim, era apenas uma garota, disfarçada de alguém mais velha. Com o coração frágil, agora massacrado pela canção... E as palavras continuavam ecoando: "Só me sobrou do amor a falta que ficou".
        Era dificil ter de dizer, mas aquela era sua realidade. A unica verdade.
        Seus olhos ardiam, mas as lagrimas não vinham. O que fizera ela, para merecer tanta desilusão? O que fizera para ter de viver daquele jeito? Escondendo-se das sombras de seu passado, ela não mais fazia do que apenas fugir. Correr do impossivel. Como se tudo isso fosse valer a pena no final - ela queria livrar-se da dor.
        Mas a dor... é algo que só te esquece quando tudo acaba.
        E nem tudo havia acabado. Mesmo assim, a mulher estava quase ciente de que mesmo que o fim tivesse mesmo se concretizado de alguma forma, a dor permaneceria. Porque é pra isso que ela serve, não? Serve para perseguir os que já amaram e desistiram de seu amor.
        Misturando-se ao som da música baixa que o rádio de seu quarto produzia, o celular dela começou a lançar suas notas graves pelas paredes do quarto. Alguém a ligava. Ela não tinha vontade de atender, mas estendeu sua mão ao aparelho - começaria, agora, mais um de seus teatros 'adultos'. Mais uma de suas atuações de novela. Era triste ver como ela fingia ser outra pessoa, mesmo se tratando de sua propria vida, mas aquilo não era melhor do que mostrar-se fraca por causa de algo que já havia acabado antes mesmo de começar? Provavelmente, ele a esquecera - porque ela insistia em amá-lo?
        O amor é injusto, só isso.
        As letras que piscavam na tela do celular, formulavam um nome estranho, conhecido. Seu coração pulou. Ela sentou-se, muito ereta, na cama. Seus dedos oscilaram. Sua raiva reavivou, ao mesmo tempo que sua dor crescia, enquanto as lembranças a invadiam como mar revolto. Devagar, ela atendeu o aparelho que se desesperava tocando.
        - Não desligue o telefone, por favor. - a voz do outro lado da linha falou, rapidamente.
        A mulher não respondeu, sentindo-se idiota somente pelo fato de ter atendido a ligação do homem que a fizera como ela é hoje.
        Se ela sofria, podia botar a culpa nele.
        - Lisa... - a voz murmurou, devagar, como se estivesse cantando. - Será que podemos nos encontrar? Conversar?
        O coração da mulher já não parecia ser dela mesma. Desesperava-se para sair de seu corpo, responder que sim. Mas a verdade foi que ela não disse nada. As palavras não saiam.
        - Lisa, responda-me. Quero ouvir sua voz. - ele esperou. Não houve resposta. As lagrimas da mulher enfim começavam a cair. - Será que você tem tanto medo do amor que não pode me perdoar?
        Aquela era a pergunta final, abrasadora, verdadeira. Real. Depois de tanto sofrer, valia a pena perdoar alguém que não havia cometido erros? Valia a pena perdoar alguém que a fizera sofrer somente por existir? Valia mesmo a pena amar? Sua resposta decidiria isso. E ela respondeu. E descobriu.

4 comentários:

  1. Perdoar,ou não.Creio que quem ama passa muito por isso... será que a Lisa o perdoará?O que será que aquele danado fez? Fiquei curiosa .
    Quero segunda parte one-chan *-*

    Kissus e Sayonara *pena que com a minha net,ñ dá para ver o cabeçalhho fofo que vc fez ; (*

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  2. Nhýa!Agora posso ver o cabeçalho *kawaii ~desu*

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  3. Oi amr, qnt tmpo né? Então posteei lá o quarto cap do the door of soul. ;s' Espero q goste. ;]

    www.elouisegomes.blogspot.com

    Bom final de semana. Bjs

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  4. as vezes o perdao nos torna frageis mortais,porque ele faz parte da nossa natureza. Perdoar...mesmo que nosso coração fique despedaçado.

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