Agora, todas as coisas incoerentes parecem se reunir num palco proximo a mim, me mostrando tantos erros que eu não gostaria de ver ou lembrar... Sou obrigada a observar tudo, num silêncio comedido e timido. Não gosto do meu passado, nem tampouco do meu presente. Futuro? Ele não existe. Não acredito mais na vida, não acredito nos sentimentos, não acredito nas pessoas. Acho que não estamos realmente vivos. Somos como células, apenas movimentamos o mundo.
        O mundo é uma máquina. Nós somos suas engrenhagens.
        Não há nada de especial nisso. Não somos nada. Somos algo, mas algo sem tanta importancia como eu gostava (eu acho que gostava) de atribuir.
        Passei a acreditar nisso, não sei exatamente o porque.
        Sabe aquela sensação terrível de que aquela pessoa em que você mais confia, na verdade já traiu sua confiança? Aliás, isso não é uma sensação, é um sentimento que cada vez mais se confirma. É isso ai. Odeio traição. Odeio confiar nas pessoas erradas.
        Embora isso, quem diria que ELE faria isso?
        Ele mentiu.
        E tenho de fingir um sorriso na frente dele. As vezes nem é necessário fingir - as vezes eu esqueço das coisas. Olho pra ele e penso: ele não pode ter feito isso. Mas fez.
        Ele não só mentiu... ele fez algo errado. Sinto que presenciei o que ele fez, mas não consigo lembrar. Tudo que me lembro é aquilo que chamo de "a noite".
        A noite em que eu vi tudo quase desabar.
        Não, não; a noite em que tudo desabou.
        Está tudo acabado.
        Desculpa o sentimentalismo... desculpa você estar lendo isso... Desculpa você ter de ouvir (ler) o que digo. A verdade é que eu não devia estar escrevendo nada disso aqui. Eu não devia estar pensando nisso. Eu não devia estar culpando, ou me culpando, ou culpando alguém. Isso aconteceu há quantos anos? Nem me lembro. As datas não fazem importância pra mim. Também, se eu lembrar, de que adiantaria? O passado já passou, é imutável, incorrigível.
        Então, meus erros estão grafados na atmosfera de lembranças do mundo. Os erros dele também. Os nossos erros. O meu erro de existir. O erro dele de fazer outras quase perderem a existência. O meu erro de tentar viver como alguém normal. E o erro dele de tirar a normalidade da vida de alguém.
        Somos todos errados. Ele não liga, já esqueceu.
        Não sei porque sou uma das únicas que está se importando com toda essa porcaria. Lixo humano. Eu não deveria ligar - eu não quero me importar...
        Eu quero voltar a esquecer, droga!
        ...
        Esquecendo, ou não, isso não mudaria muita coisa. Ignorar os erros não fazem com que eles desapareçam. Esquecê-los não fará com que algo mude. Nada vai mudar. Eu tenho de aceitar isso.
        Nada irá mudar.
        Eu não posso mudar isso.

Um comentário:

  1. ser traída é a pior sensação do mundo. como se nao tivesse mais em nenhum lugar para se segurar, só conseguisse cair e cair pra mais fundo... nao pode mais confiar, nao pode mais!

    (selo pra vc no meu blog, nee-chan)

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