O volume da música estava em volume máximo.
        O passo apressado cortava o asfalto, ignorava o caminho, seguia a música e seu ritmo perigoso. Ela não sabia para onde ia - a música não lhe dizia isso, mas sabia que fugia.
        Fugia do momento em que teria de confessar o quão errada estava.


        As vezes, deixamos que nossos caminhos se tornem nossas vidas. Somos simplificados de maneira tola, vêm nossas escolhas e dizem que elas são nós. Então é isso, somos o que escolhemos? Somos o que fazemos? Um assassino é um assassino porque mata, mas será que ele se resume a apenas isso?
        Não adianta que me digam o contrário. Acho que as pessoas são como peças. Algumas são bem ensaiadas, bem sucedidas, conseguem aplausos; outras, não. Mas, por mais que vejamos toda a peça, todo seu conteúdo e personagens, ações e reações, nunca saberemos como ela foi montada - nunca saberemos o que há por trás da cortina.O que vemos não é suficiente para explicar o que há por dentro, o que motivou os erros na atuação. Somos escravos de nossos olhos, de nossos sentimentos.
        Somos eternos empiricos.
        Somos eternos escravos do que sentimos.
        Não há liberdade em nada, em ninguém. Você pode-se dizer livre, mas há toda uma coisa que te rodeia, que te controla. Não adianta lutar contra isso. Não adianta se rebelar contra o que você sente. Isso pode ser ruim - e também pode ser bom. Há dois lados da moeda, dois modos de ver o que você sente. Uma coisa é totalmente diferente, se visto de dois angulos diversos. As coisas são assim. A vida é assim.
        As pessoas vivem assim.
        Então, há peças de terror, peças de drama, peças de comédia, peças geniais, peças superficiais - mas são peças; são pessoas. Elas não se resumem ao que mostram ao público, a peça - as pessoas - não são apenas o que você vê, o que seus sentimentos lhe dizem. Elas são muito mais que qualquer coisa que você pense. Elas são elas - você é você.
        E é desse modo que movimentamos o mundo.

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