Senti o gosto da ironia em meus lábios, passando por cima de minha lingua e decendo pela minha garganta. Tive de engolir.
      Há coisas que você deve deixar para depois.
      Há palavras que precisam amadurecer antes de sairem.
      O que não justifica o fato de eu não dizê-las... Talvez tudo fosse bem melhor, se as palavras simplesmente fluissem, lentas e calmas, para longe de mim... Talvez seja melhor eu parar de ser o que é melhor, para ser o que sou.
      Há muitos caminhos.
      Muitas trilhas desconhecidas.
      Terei de me embrenhar em uma delas.
      Talvez eu me perca.
      Talvez eu me ache.
      Talvez eu morra, talvez eu viva.
     Morte.
     Vida.
     Quer saber? Dá tudo no mesmo.
      Morrer ou viver, não faço mais questão.
      Não, não sou suicida.
      Não, não conheço a vida, também. Mas, e você, conhece?
      Se quero desistir de tudo, deixe que eu desista. Pode, ou não, haver motivos.
      O que não faz diferença.
      Morrer é um ato simples, reflexivo.
      Você pode ir pra qualquer lugar... Você pode ir a lugar nenhum.
      A inexistência e existência da morte, me fascina. Ela pode me dar passagem a um outro mundo, uma outra dimensão; ou pode me retirar tudo... e estarei no nada. O que já será algo.
      O nada. O algo. Ambos também são a mesma coisa.
      As coisas estão sempre mudando, e só a morte me parece intacta. A própria vida parece se transformar a cada momento, te bater a cada instante. A morte é calma. Parada. Complexa.
       Ela abre os braços para você, te saudando para uma nova existência, repleta de coisas que não existem.
       Viver num mundo que não é real... não seria legal?
       Um mundo onde as pessoas são apenas sombras, lembranças. Um mundo onde você controla o que sente, o que quer, o que deseja... Isso seria morrer? Morrer seria ir à um mundo fantasioso; seria termos nosso, enfim, final feliz?
       Se sim... isso é irônico.
       Só seremos felizes na vida, quando não a tivermos mais.
       Não é absurdo?
       Abraçar a morte... eis ai uma sensação que eu gostaria de experimentar. Como deve ser? Como deve ser não pensar, não sentir, não ter?
        Estou me contradizendo. Afinal, a vida é feita de contradições.
        A morte também.

Um comentário:

  1. Mary! Que texto profundo e lindo! A vida é cheia de contradições mesmo, os próprios seres humanos são contraditórios. Amei, amei...

    Tem selinho e meme pra você no blog.

    Beijinhos

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