Até os super heróis estão assustados agora. Não há muito o que fazer. Não, ela não morreu; mas está muito além de morrer ou viver. Sofrer e continuar sofrendo me parece pior do que peder a vida. E ela está sofrendo. 
        Quis, por um instante, alertá-la do que ela mesma parecia não ver e se importar. Mas sei que ela não ouviria. Fiquei apenas assistindo seu namorado bruta montes estapeá-la. E de novo, mais um tapa. E outra vez, agora um soco. Mas ela continua resistindo. Continua recebendo. E eu continuo olhando, quase chorando. Como se realmente eu, que estou tão longe - e perto, ao mesmo tempo - devesse sentir algo ao ver aquilo. Mas sinto. E não suporto ter que sentir. Não suporto ser uma merda de poço de sensibilidade. Sou um garoto. E sou um merda sensivel.
        Me pergunto, pela trigésima vez, se ninguém ali, além de mim, havia percebido o que estava acontecendo - ouvido o barulho insuportavel e duro dos tapas e socos. Sei que é de noite - que tudo está escuro - e que estamos no meio de um parque relativamente vazio; mas isso não explica o total descaso de todos para com essa cena. Talvez eu só seja um expectador de má sorte, que veio parar no lugar errado e na hora errada. Não acredito realmente nisso, mas quando estamos diante de coisas como essa, é melhor passar a acreditar. Você sabe que não é capaz de impedir; e não impede. E é isso que vou fazer. Vou apenas assistir uma garota, aparentemente de doze anos, levar uma surra de seu super namorado bombadérrimo - cheio, com certeza, de testosterona artificial, e bombas para musculos de cavalo - espancá-la. Bater nela, como se isso fosse uma prova de seu amor. 
        E que se dane o amor.
        Chamo a polícia. Eles disseram que logo chegariam. Bem, se passaram mais de meia-hora, e os dois enamorados briguentos já foram embora, com a garota sangrando um pouco - com alguns hematomas, com certeza-, e, adivinhe... a polícia não chegou. Nem a polícia, nem ninguém. Só fiquei eu, ali, parado, olhando para o nada. Sinto-me nojento, pecaminoso, só de pensar novamente na discussão que os dois tiveram, logo antes da pancadaria de luta livre começar. Era uma luta livre, mas só um batia. Injusto. Muito injusto.
        E, ali, escondido de todos, no mesmo lugar que eu vi um surto de violência amoroso, prometi uma coisa... Nunca amaria minha namorada a ponto de querer espancá-la. Se isso fosse mesmo uma prova de amor, prefiro não amar. Mas já estou amando. Então me rendo somente no pensamento de que nunca  tratarei ela assim - a pessoa que amo. E nunca mais virei à esse parque. E não mais chamarei a polícia para resolver coisas que eu mesmo posso dar um jeito. Se eu for morrer com meus atos... que isso vá pra merda. Vou morrer com coragem - e passará no jornal, a noticia: garoto morto, depois de paquerar a namorada de outro. O garoto que batia na garota é rico, com certeza - notei pelas roupas, pelo carro, pelo óculos escuros, e pela namorada patricinha -, e isso, sua riqueza, já o torna inocente. No meu mundo, os que possuem dinheiro são sempre os que não possuem culpa.


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Eis que estou de volta   .-.'
Pois é, fiquei esse tempo imenso (super imenso) sem internet... Agora voltei. Esse texto não é atual, o fiz faz um bom tempo, e nem tenho certeza se já o postei.... Acho que não. Então, vai ser esse mesmo. Ele nem está bom, mas espero que tenham percebido o toque irônico dele, por que foi a unica coisa que prestou.  ;]
  *Detalhe: passo um mês (somente um mês!) fora do blogger, e, quando volto, o bicho mudou tanto que quase achei que tinha entrado no site errado! ._.'

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