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     Um sorriso vago e timido, estrelado, me saúda da janela. É o mesmo céu de sempre. Umas nuvens rosadas; uma imensidão escura e sólida; umas estrelas singelas e simpáticas. É só a noite.
      Sim, é o mesmo céu de ontem - de sempre.
       A música do ambiente enche meus ouvidos. A realidade me atinge; as palavras me faltam, enquanto outras vêm até mim.
       Sorrio, para quem quer que seja que recolhe os sorrisos sinceros e os leva até o infinito noturno. Quero que algo meu vá ao céu. Quero fazer parte daquelas estrelas, quero enfeitar o céu que tanto admiro. COmo posso conseguir isso - como viro uma muda, singela e completa estrela?
       A melodia continua tocando... A realidade está aqui. Eu sinto seu cheiro, toco em seus dedos magros e cinzentos, olho em seus olhos frios e vagos. Me encho com minhas sensações. Absorvo a presença do que é real. Quase ouço o dialogo silencioso, como a própria noite, que se segue:
       - Quero ir ao céu. - minha voz não sai, mas sei que ela (A realidade) me ouviu.
       Ela ouviu. E riu.
       Seus dedos... Seus olhos... Nada era tão nublado e confuso quanto seu riso.
       Seu riso irônico...
       Ele me oprime até hoje.

Um comentário:

  1. Seus textos/poemas são sempre muito bonitos
    Hey, tenho um desafio pra Você http://vnmp.blogspot.com/2011/08/desafio.html

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