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As ruas da cidade me incomodam, o sol me queima. É engraçado estar num lugar assim... é engraçado existir. Não concorda?
        As pessoas nascem, elas estão ali. As vezes penso: o fato de existir, existe? Estamos aqui? Isso não é um sonho? Isso aqui é verdade? Tudo é confuso. Tudo é ignorado. Onde estão as respostas? Não seria melhor parar de esconder todas essas perguntas agonizantes? Quem sou eu? O que estou escrevendo? O que é isto?
        O mundo é um lugar grande.
        Aos poucos, bem aos poucos, nos perdemos nele. Perdemos o que temos, perdemos o que somos; somos tragados pelo mar do "ser igual". Ninguém aqui sabe nadar, mas todos nos arriscamos; e nos perdemos. Na verdade, não há nada de complicado nisso. É só mais um fato. Não nos ensinam a enfrentar o que vem a seguir, e entramos na batalha totalmente despreparados, como meros filhotes confusos e frágeis. E acabamos como estamos agora.
        Do que vale andarmos sem fazermos ideia onde pisamos?
        Do que adianta lutarmos numa batalha que temos certeza do fim e de como ele será?
        É tudo uma perda de tempo.
        É tudo uma cópia do que já foi.
        Me disseram que para fazermos um futuro, devemos conhecer o passado. As coisas mudam, porque sabemos que devem mudar. E então tudo continua igual; somos mesmo idiotas.
         Se sabemos a receita, por que insistimos em fazer tudo às cegas?

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