Diário da dor

Sinto isso crescer e corroer as paredes; vejo as ruínas descerem lentamente para o chão, como algo sem forças para se manter de pé. O ácido das lembranças corrompe a determinação, transforma a segurança em medo, o real em amor. Não sei se isso é certo. Não sei o que é errado. Ao invés disso, assisto aos musgos que crescem possuindo o paredão de mármore, tão lindo - eu me lembro de tudo. Me lembro da beleza.
      Eis meu mal: a lembrança.
      Minha maldição: ter de ver à tudo isso.
      O jardim secou, não vejo flores. As rosas, as margaridas, todas - sem exceção - se foram. O mar imenso da felicidade utópica, as tragou. Pensei que voltariam; não voltaram.
     Me deixaram...
     Agora o que restou foram os ramos secos, seus espinhos à mostra. Toco-os lentamente, a imprudência guiando meus dedos, a ilusão bela nublando meus olhos. Onde antes havia o toque suave das pétalas, agora os espinhos saudam meus dedos com suas lembranças belas.
     O que antes me alegrava, hoje me fere...
     Vejo meu sangue escorrer pelo galho espinhento, e não sei dizer se aquilo que vejo é uma de minhas lágrimas ou se saiu de minha ferida aberta pelo espinho.
     Meu corpo chora.
     Minhas lágrimas machucam.
     Ouço gritos.
     As lembranças viram delírios.
     Os delírios viram saudade.
     Logo penso que amo. Amo o quê? Amo aquilo que me lembro, amo aquilo que vejo em meus sonhos confusos.
     Sim, amo a ilusão.
     Amo o que não existe.

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Oi. [;
Não tente entender esse texto... eu mesma não entendo. Não sei se essas linhas saíram apartir de um personagem, ou se são apenas fragmentos confusos de meu subconsciente. É, não sei.

2 comentários:

  1. Sentir falta... De quê?
    Será que isso existiu mesmo?
    Quando acordei hoje... Algo mudou.
    Ou tudo segue uma única linha?
    Bem, coisas que faziam parte do que chamo de vida, foram embora.
    Posso dizer que minha vida está se esvaindo?
    Feridas abertas que fecham. Cansaço que acaba e volta no outro dia. Rotina.
    Apagar o passado?
    Algo que não existe mais?! Tolice.
    Apenas ignore e deixe a 'vida' te consumir.

    *-* Onee-sama, ganbatte kudasaaaaaaaaai!!
    Fighting!
    Se você olhar muito para o passado, vai sentir que ele está mais próximo. Mas no momento em que desviar o olhar, ele estará distante demais, inalcançável. Ignorá-lo... Utopia.
    Seguir em frente... Doloroso.

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  2. Oi *-*, eu estava com saudades daqui.
    Muito lindo seu texto, me identifiquei com ele, as lembranças,saudades.

    meumundoloove.blogspot.com
    avidadelaari.blogspot.com

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