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“No inicio a terra era sem forma e vazia, e havia trevas na face do abismo”.
                Z35 lembrou-se dessa parte em especial da bíblia humana, enquanto olhava para a esterilidade de seu próprio planeta. O caos da inexistência tomava conta de seus olhos: a poeira vermelha se estendia por milhões de metros à frente, sem destino, sem fim. No final, era tudo somente areia e uma solidão profundamente enraizada nas rochas em processo de erosão. A luz do sol não passava de um mero cinzento tímido, que tocava sua face insensível com uma precisão vacilante, pouco útil para manter qualquer vida animal ou planta. Talvez tenha sido ai o principio do fim, lembrou-se amargamente. Mas como saber? Afinal, ele era um robô.
                Um robô.
                Recomeçou a andar. Ele tinha uma missão, e precisava lembrar-se de cumpri-la o quanto antes. Sua vida se resumia àquilo, como falhar, então? Seus passos seguros e retesados, foram marcando a areia lentamente, passo à passo, segundo à segundo. A civilização estava alguns quilômetros à frente, e ele precisava chegar lá o quanto antes. Sua rainha, a Soberana, o esperava; não queria deixá-la esperando, por fatores que ele considerava crucial: obedecer às leis e ser fiel as ordens era algo gratificante para alguém que não possuía sentimentos. Um sorriso metálico cortou seus lábios.
                Como se para contrariar essa sua idéia lúgubre, uma tristeza, ou alguma coisa muito parecida com isso, tomou conta de sua garganta, formando um nó indissolúvel e que evitava a passagem de ar. Em tese, ele parecia-se com os humanos. Andava como eles, pensava como eles, respirava como eles; mas algo, algo muito importante, parecia diferenciá-lo daqueles seres tão amados pelo Grande Deus.E Z35 acabara de descobrir o que exatamente era essa diferença. Isso o deixava animado; depois de tantos séculos pesquisando, tentando, aperfeiçoando, talvez sua raça enfim pudesse tornar-se uma das preferidas de Deus. O próprio Z35 não sabia se esse era um ideal pelo qual valia a pena lutar, mas era seu único. Não tinha por quê deixar de tentar alcançar o seu único objetivo, ainda mais quando este era o objetivo de toda uma raça, de todos seus parentes e amigos, de sua Soberana e dos políticos.
                Ele continuou andando. Não sabia quanto tempo se passara desde o ia em que for mandado para a base do sul, afim de ajudar nas investigações e pesquisas de lá. Talvez dois, dez, duzentos, mil anos. Quem iria saber?  Ao contrário dos humanos, ele não precisava se preocupar com o tempo. Quando sua vida é infinita, creio que nada poderá ser algo preocupante.   
                Foi com uma imensa monotonia que ele percebeu-se a menos de cem metros da capital do planeta, a enorme ZeldaF23. Você se consideraria estando no meio de humanos, se pudesse ver a cena. Todos andavam pra lá e para cá, por entre os prédios, em sua maioria cinzentos, mas tintados com uma poeira insistente e cor de sangue. Homens altos, ternos grudados em seus corpos humanóides, iam para suas empresas renomadas na arte de modificar estéticas. Mulheres bonitas populavam os outdoors, suas curvas sensuais contrastando com um sorriso ingênuo que tingia a face das moças morenas e loiras – de todas as etnias imagináveis. Z35 rangue os dentes, por um momento achando que a obsessão de sua raça em tornar-se tão importante quanto a humana, era ridícula.
                Sim, aquilo beirava ao ridículo.
                Negou a si mesmo mais algum momento de admiração da cidade, adentrando-a e se misturando à confusão de corpos andróides. Alguns falavam ao celular, outros apenas riam de suas conversas com amigos, mas Z35 mantinha-se taciturno, apressado em chegar até sua Soberana e explicar-lhe o segredo, o ingrediente final, para que sua raça se tornasse realmente uma raça, alguma coisa que merecesse a atenção de Deus.
                Foi ainda pensando nisso que ele chegou de frente à base do governo do planeta Androzos, o Planeta dos Revoltados. Não que Z35 achasse que aquele nome fizesse jus ao seu povo. Muito pelo contrario, eles não eram revoltados, só queriam ter sua parcela de perdão diante do pai e ter o direito de morrer (deixar de existir) e irem ao céu. Era, isso, pedir demais? Ir ao céu devia ser direito somente dos humanos?

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À quem não entendeu nada, uma explicação: essa é parte do primeiro capitulo de um conto (não sei se ele terá tamanho suficiente para ser chamado sequer de livro) que estou escrevendo... É estranho, eu sei, e uma mistura estranha de ficção cientifica e... qualquer outra coisa que nao sei o nome... Mas, então, o que você achou?   (pode dizer a verdade, eu não me importo).
E, sim, se quiser me ajudar com o titulo do conto, eu te seria grata pelo resto da vida  #Fato.
Ja nee.

Um comentário:

  1. Minha internet tem um TIMING perfeito. Fiz um comentário, razoavelmente grande, e na hora que apertei o botão de postar comentário, ela caiu, levando meu comentário para o espaço sideral.

    Eu diria para colocar o título no final... Mas como parece ser uma saga, que tal 'Z', ou z01.
    Gostei muito da história, estava lendo de forma tão gostosa que nem percebi que estava chegando ao fim do texto... Quero uma continuação, então, depressa OK?! *-*
    Eu fiz um comentário sobre outras coisas também, mas uma realmente importante, é que você crie outros personagens importantes que possam mostrar sua própria visão do mundo em que vive.
    Pode ser parecida, antagônica, não importa... Seria interessante mudar um pouco a interpretação da história de vez em quando.
    =D
    Nuna, fez bem. Continue lutando. FIGHTING!
    Annyeong, estou indo~ ╭╮╭╮

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