Mentira

"Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar"
- Legião Urbana


A seriedade das palavras brinca em meus lábios. Querer ser sincera, às vezes (talvez quase sempre), dói - tanto para mim, quanto para os outros.
        Tanto para mim, quanto para você.
        Pensa que não cogitei a ideia de deixar para lá, esquecer - ser hipócrita? Sim, pensei. E me sinto mal só de lembrar. Como ir tanto contra meus próprios ideias, fingindo, agindo como os outros humanos? Hipocrisia é o alimento do mundo - não quero que ele seja também o meu. Não gosto de pessoas hipócritas. Não gosto delas porque acreditam em suas próprias mentiras. Não quero acreditar nas minhas. Não quero ser enganada por mim mesma. Por isso, talvez, eu deva começar a confessar tantas dessas coisas que escondo com minha hiocrisia - não porque quero ferir alguém, mas porque quero não ferir a mim mesma.
        Mentiras são como facas; em mãos, elas sempre irão cortar alguém.
        Esse é o meu motivo de dizer a verdade. A verdade dói, mas não corta. Não deixa tantas cicatrizes, e, se deixa, é porque - um dia - já houve uma mentira. Mentiras fazem a verdade ser dolorosa. Mentiras. Verdades. Não se deixe levar pela falsa honestidade das palavras.
        Depois de tanto escrever, procurando confessar algo, deixo que alguma parte de minha sinceridade parta para longe. "Talvez não seja necessário eu dizer isso". Mas é. Infelizmente, menti, e agora tenho de dizer a verdade. Não há nada mais justo, não? Menti por que a realidade que eu vivia naquela mentira, era legal. Era. Não é mais. Isso me atormenta, desde um dia depois de eu deixar as palavras sairem de meus lábios: "quero ser sua amiga".
        Bom, pode ser que essa frase não seja tão mentirosa assim.
        A verdade é que eu queria, mas não posso.
        Não sei considerar uma amizade, quando malmente sei quem a pessoa é.
        E eu não sei quem ela é.
        Porque aceitei ser amiga de alguém que não conheço?
        Me sinto decepcionada por ter considerado alguém como minha amiga, quando demorei tanto tempo para considerar meus verdadeiros amigos. Eles, sim, gostam de mim. Sei que gostam. Ela - minha nova "amiga" - não gosta. E não posso culpá-la, porque mal nos conhecemos. Por isso não podemos ser amigas!
        Eu menti.
        Naquele dia, eu menti.
        - Claro. Seira ótimo.
        Não, não seria. Não é. Talvez um dia, será; mas, hoje, não é. Nunca foi.
        Talvez eu seja idiota, por fazer um texto confessando isso. Não sei se quero que a pessoa leia, ou não. Não sei se quero confessar-lhe que não consigo considerá-la como amiga, e me arrependo de enganá-la tão descaradamente. Sou mentirosa - menti. E isso me atormenta. Não tenho o costume de enganar pessoas, e não gosto de ser enganada. Fiz as duas coisas ao mesmo tempo: enganei alguém, e me deixei enganar pela mesma mentira tola.
        Isso é idiota.
        Eu gosto da pessoa, mas não sou sua amiga.
        Gosto de ajudá-la; mas amizade não se resume à ajuda.
        Ajuda não é amizade.
        Ajuda não é amor. Compaixão não é amor. Solidariedade... não é amor. Esses sentimentos podem nascer em alguém que ama, mas eles - por si só - não formam o amor.
        Então, não amo. Ajudo, solidearizo, me compadeço - mas não amo.

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